Quando te dói um dente, o peito ou a classe, algo em mim se retrai dolorido. Uma dor fantasma de um peito que não é o meu.

Uma dor fratura entre as costelas por onde o ar às vezes não entra.

Torsilax e uma das músicas mais animadas da minha playlist. Desisto da ideia de te guardar por dentro.

Tua pele é também feita da poeira do mundo e eu gosto dessa textura e temperatura.

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Um poema adormece no meu peito. Um poema teu.

no peito que também tem algo de teu.

E tece hipóteses líricas

Dorme

Gesta

Matura

Repisa teus dedos no meu corpo e tuas impressões na voltinha dos meus ombros

A palavra poema

enrola

minha mão no teu cabelo

e fica

parece que de propósito

a palavra que escolhi rola na cama e te aperta com as unhas, te puxa pro fundo de mim

Te molha

com a língua de palavra poema

que não sai

como se fosse virar soneto

em decassilabos sáficos, heroicos

foda-se

Vai virar verso livre anos 70, miúdo,

rueiro,

que é pra combinar comigo.

Simples

que é pra sair com teu cheiro.

Um poema que - quando vier - vai ter a forma da desimportância

pra ganhar espaço no teu quintal

e matar a minha vontade

de te ver agarrar a palavra poema

entre os dentes.

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